Um balanço de 2025
O ano que me fez querer desistir da escrita.
2025 não foi um ano fácil.
Costumo falar o quão dolorida é a experiência da escrita para mim e como as situações que escrevo, por mais fantasiosas que possam parecer, são retalhos das minhas vivências e dores.
Acontece é que as coisas em 2025 foram um pouco diferentes e me atropelaram muito mais vezes do que nos anos anteriores.
2025 me fez querer desistir da escrita e para ser sincero, não apenas dela.
A verdade é que eu me arrisquei, me joguei de cabeça em projetos infundados, aceitei propostas de trabalho que me fizeram mal e quase não segurei as pontas quando até meu filho (pai de pet, de nada) precisou de mim.
Isso foi o suficiente para quebrar meu espírito. Fez com que eu me afundasse ainda mais nessa solidão interna, cometendo ainda mais erros no caminho. Escolhas que me custaram muito e ainda me custam.
Essa espécie de fardo dolorido que a escrita normalmente me traz, foi também a única coisa que me tirou de sintonia dos problemas reais, o que resultou num estado ainda maior de isolamento (um círculo vicioso) e a ausência de conteúdo…
Conteúdo…
Como pensar em estratégias de marketing para vender um livro e pensar na literatura de forma convidativa, quando ela é para mim, no momento, uma válvula de escape? Como posso sorrir ao gravar um vídeo para qualquer uma das redes sociais, levando adiante um projeto que dei tudo de mim, se não estou sorrindo por dentro? É exaustivo demais, dolorido demais.
E foi assim, em meio ao caos e a dor, que minha ambição desenfreada em ser artista me tirou a paz e fez nascer a comparação.
Comparação, frustração, recalque, inveja, desgosto… chamem como quiser.
A busca por validação do outro, quando nem mesmo eu me validava, transformou qualquer chance de sabedoria em torpor.
A verdade é que esses sentimentos despertaram demônios dormentes, tão poderosos quanto outros que já me atormentavam. Alimentados, esses demônios diurnos me afastaram de pessoas, me fizeram desistir de projetos e por pouco não arruinaram minha vontade de seguir em frente.
Com sorte, tive alguns poucos amigos que não desistiram de mim, um companheiro de vida incrível e, claro, a própria escrita, que mesmo fazendo parte desse círculo vicioso, me deu armas para poder lutar contra meus fardos.
O ano de 2025 não foi de todo perdido, isso jamais. No entanto, deixou marcas profundas, um lembrete de que era preciso cuidar melhor de mim.
Eu não vou falar de novidades, pelo menos não por enquanto. Este é mais um desabafo do que ‘apenas’ um capítulo da vida maluca de quem vive a rotina dupla de CLT ( escala 6×1 nunca mais!) e artista.
Espero que vocês não tenham desistido de mim.
Feliz 2026.
Rafael Delboni



Sem chances de desistir de você! "E a gente muda e continua a sonhar, aprendendo"... (Lo) 🤍