Capítulo 9 - Espasmos Criativos
Bloqueios e espasmos de escrita, o que foi que eu fiz? Outro livro? Um encontro em setembro?
parte 1
Cruzou as portas do elevador com pressa, pouco se importando com o véu e grinalda. Não queria acreditar que todos os dias possíveis ele havia resolvido morrer no dia em que se casariam. Ainda assim, mantinha esperança de que tivessem dado um fim ao homem errado, afinal de contas, graças à novela famosa no ano em que ambos nasceram eram muitos os Gabrieis.
parte 2
Parou diante da porta do necrotério esperando sua vez de reconhecer o corpo, tão branca quanto o vestido que usava. Respirou fundo, puxando o ar com cheiro de lysoform para dentro. Não soube bem o porquê, mas lembrou-se de quando fora ao cemitério pela primeira vez para enterrar uma parenta, e que, por achá-la parecida demais com a mãe, havia prometido nunca mais ver um morto em sua vida. Isso a fez parar, levar a mão ao coração e repensar todo o caminho da igreja até ali, aquele hospital em que ambos nasceram, mas que ele, em sua febre egoísta, resolveu escolher como o lugar onde a deixaria sozinha.
parte 3
Ergueu os olhos, como se aquela pequena reação a fizesse mais confiante e encarou o rosto de Gabriel, se é que podia chamá-lo assim. Haviam dito que não precisava vê-lo, pois eram muitas as tatuagens e marcas nas diversas partes que ele, tão grande, havia se fragmentado, mas ela insistiu. Trêmula, sobre a solas de pés que pisavam no solo de concreto gelado, sentiu um puxão no umbigo, como quem caia de um penhasco num sonho breve. Finalmente poderia dar cabo as dúvidas, havia descoberto as respostas da pergunta que todos faziam. O amava, tarde demais. Chorou, um choro horrendo e sincero.
Os parágrafos acima são fragmentos e só.
Trechos de um texto que ainda não saiu do campo das minhas ideias e que sequer viu uma revisão decente, mas que foi o desencadeador de muita coisa que vem por aí no capítulo de hoje.
Esses mesmos textos foram pensados no curso de escrita criativa da autora e também amiga, Rute Ferreira.
Essa, que não bastava ser confidente, leitora, musa e remédio de crises de bloqueio criativo, também está em campanha com seu romance. Você pode apoiar o projeto dela aqui.
Bordado em Ponto Corrente é uma das histórias mais bonitas que tive o prazer de ler e com toda certeza um livro que já pode ser considerado o melhor da literatura atual.
É sério, sem exageros…
Loucuras de maio: A Era das Aranhas… e o que mais estou escrevendo?
Nas últimas edições comentei sobre meus diversos problemas, que iam de encanamentos péssimos, limbos criativos e ideias improdutivas.
O problema é que o dia em que a inspiração pega uma mala e vai de retro para o inferno, havia infelizmente chegado.
Ela demorou a voltar, viu? Não à toa que estamos aqui, quase um mês e meio depois, dessa que deveria ser uma edição mensal.
Após um período duro sem escrever — em que nós autores insistimos em achar que não somos dignos do título — me vi rodeado de outros momentos para viver a literatura.
Fosse conhecendo meu tão amado amigo e também autor Marcos Ogre, ou, desvendando os mistérios em três maravilhosos livros que simplesmente ENGOLI, nas últimas semanas (mais detalhes sobre eles abaixo); descambei e…
Voltei, finalmente, a escrever.
É preciso viver literatura para se fazer literatura, pelo menos por essas bandas de cá…
Umas das coisas — e sim, você leu isso certo, eu disse coisas — que ando trabalhando é a tão sonhada (pelo menos por mim) continuação de A Era das Aranhas, que no meu coração já existe de cabo a rabo.
É cedo, eu sei, mas escrever fantasia é um processo longo e demorado. É preciso pesquisa, cuidado e muitos processos no entorno de sua criação.
Às vezes, algumas dessas pesquisas nos fazem recuar, ou, quem sabe até, encontrar novos caminhos.
A verdade é que me peguei pensando em lobos e, quando menos vi, rabiscava outro texto no mesmo universo… e outros tantos contos que espero trazer em breve aqui no projeto. Completamente digital.
No mais, A Era das Aranhas ainda vive e pode ser adquirida comigo junto de brindes, ou no site da editora.
Isso sem contar no fato de que:
ESTAREI NA BIENAL DE SÃO PAULO com A ERA DAS ARANHAS!
Para ir até lá conseguir sua cópia do livro, ou me dar aquele abraço apertado, basta comprar seu ingresso aqui para o dia 07/09, às 14 horas!
Outro livro?
Não é mistério para ninguém que acompanha minhas escritas por aqui, o amor que tenho por lendas folclóricas.
Há um tempo venho publicando trechos e curiosidades sobre seres mitológicos em diversos meios que utilizo para falar com vocês.
Esse meu amor por criaturas da noite e deuses já existe desde a infância, nos primeiros jogos de RPG que joguei, ou nos livros que devorava na época da escola e agora nos livros que consumo como adulto.
No 4° capítulo dessa newsletter falo, inclusive, como esse amor por criaturas noturnas me fez imaginar um Brasil paralelo e criar a investigadora do oculto Verônica Veredas e Max, o vampiro.
Abaixo um trecho desse capítulo, que pode ser conferido na íntegra aqui.
Verônica Veredas (investigadora do paranormal) é um personagem de um Brasil paralelo, num mundo em que criaturas, comumente encontradas em lendas e histórias, coexistem com seres humanos reais e tão cruéis quanto em qualquer realidade.
Ela nasceu, assim como a maioria das minhas histórias, para questionar a realidade e o porquê sofremos ou vivemos em busca de quem nós somos. Temos medos, anseios, crenças e sonhos, fatores que muitas vezes explodem como bolhas de sabão e nos faz enfrentar o mundo cru e verdadeiro, como ele é.
Escolhi escrever Verônica para expiar esses medos e crenças, desde o pós-morte aos demônios, vampiros e outros seres míticos no caminho dela. Afinal, para que acreditar que vivemos num mundo em que somos os únicos?
“Na casa de Meu Pai há muitas moradas…”
Não à toa, Verônica precisava ser sobre meu tempo vivendo em Praia Grande, as demais cidades na Baixada Santista, e também sobre a fria São Paulo, contraste para tudo que um dia fez parte da minha vida.
Na época anunciei que o romance estava pronto, mas sem casa e que Max ganharia uma história só dele antes que o romance tivesse uma casa.
E bem, esse dia chegou! Meu romance de Verônica Veredas está em fase de desenvolvimento, pela editora Crypta Books em parceria com a Folheando!
Em breve trago por aqui mais informações!
O que tenho consumido nos últimos dias?
Outra coisa que não é mistério para ninguém que me acompanha por aqui, que na minha estante é Maio Nacional o ano todo e essa edição não poderia ser diferente.
A seleção dessa vez, e sem nenhuma coincidência, é toda da Teju Jagua, selo onde A Era das Aranhas também foi publicada.
Em breve cogito trazer outros textos da casa, já que quero prestigiar todos os textos escolhidos pelo selo na mesma época em que meu texto também foi.
Piores sonhos nos melhores dias — Pedro dos Santos:
Ficção científica de estirpe, uma das melhores obras do gênero que li. Não esperava todas as reviravoltas encontradas, e nem que levaria tantos tapas na cara quanto os que levei. Sério, nível filosófico altíssimo sem baixar o nível diversão e ficar chato. Amei demais.
A Menina Branca — Bárbara Bein:
Fantasia sombria de primeira, tô sem fôlego até agora. Construção de mundo excelente, com raças e diferentes culturas, além de um apelo social muito bem escrito e diferente de tudo que já li. Recomendo demais!
Ruído Branco — Beatriz Reis:
Diferente de Pedro, que nos faz cair de cabeça em um mundo de ficção científica imersivo, Beatriz caminha pelo lado mais coração da coisa. Como viver isolado em um mundo que em teoria já acabou? Separe os lenços, pois chorei igual a um bebê com esse aqui. Excelência!
E você, o que tem feito?
Te vejo muito em breve.
Rafael Delboni






Honrada e grata pela menção, mas principalmente feliz de saber que aquele encontro foi o ponto de partida de alguma criação sua. Fico contente que a saída de emergência do limbo também tenha aparecido. E que bom que Vere finalmente vai sair, sou suspeita, você sabe o quanto gosto dela! Um junho de lindos escritos pra você, Rafa!
Que as Deusas sigam te enchendo de criatividade e muito, mas muito sucesso! ✨
Períodos de bloqueio são sempre complicados, estou passando por uma espécie de bloqueio intermitente que tem me tirado o sono (literalmente!) 😭
É sempre uma alegria receber suas atualizações no e-mail 🖤